A primeira reunião do Comitê Internacional da IV Internacional depois do 18º Congresso Mundial (fevereiro de 2025) aconteceu em Amsterdã em fevereiro de 2026, com a presença de mais de 90 camaradas.
Terry Conway*
A reunião, que em princípio reúne representantes de todas as organizações que fazem parte da IV Internacional, foi aberta com uma discussão sobre a natureza do imperialismo hoje – em que medida as teorias clássicas desenvolvidas por Lenin, Rosa de Luxemburgo e outros teóricos históricos do movimento socialista nos fornecem as ferramentas necessárias para compreender a situação que enfrentamos. Debateram-se também sobre os meios de mudar o mundo no interesse da classe trabalhadora e dos oprimidos. O planeta dividido (ou desconjuntado) geopoliticamente, no qual a hegemonia americana é ameaçada pela ascensão econômica da China, bem como pela afirmação ofensiva da Rússia de Putin na invasão à Ucrânia, põe em causa aquelas teorias, ou aqueles que pensam assim interpretam mal os textos antigos? O que podemos aprender com os teóricos da segunda metade do século XX e deste início de século XXI?
Construindo uma compreensão global
A discussão seguiu em direção à análise da situação atual em todo o mundo, com uma série de relatórios sobre as relações de força em diferentes regiões. Ela explorou os pontos fortes e fracos da posição de Trump nos Estados Unidos e certas tensões dentro da base MAGA; na América Latina, após o ataque à Venezuela no início do ano e as ameaças persistentes contra Cuba, bem como a interferência prevista nas próximas eleições brasileiras e colombianas, paralelamente à cumplicidade com, por exemplo, Noboa no Equador e Milei na Argentina, de acordo com a chamada doutrina “Dunroe” (numa mistura de Donald com Monroe).
A importância estratégica persistente do Oriente Médio – embora o genocídio em curso contra o povo palestino, que se intensifica dentro da Linha Verde e na Cisjordânia, tenha desaparecido das manchetes – foi destacada, assim como o aumento das ameaças contra o Irã (nossa reunião ocorreu antes dos ataques de Israel e EUA) e o lugar do novo regime sírio nesse quebra-cabeça.
Na Europa, a guerra da Rússia contra a Ucrânia foi instrumentalizada pelas classes dirigentes do continente como pretexto para intensificar a militarização, enquanto a política no continente vira para a extrema direita, como é o caso em muitas outras regiões. Paralelamente, a desindustrialização, aliada a uma crise no padrão de vida e ao agravamento das desigualdades, constitui um aspecto recorrente do quadro. Embora não tenha havido um relatório específico sobre a Ásia nesta parte da reunião, contribuições do Paquistão, das Filipinas e do Japão permitiram refletir sobre o impacto da situação geral em seus países.
Nossas perspectivas militantes
Após uma série de reuniões regionais nas quais os camaradas tiveram a oportunidade de explorar mais detalhadamente a situação que enfrentamos e de trabalhar em iniciativas, os participantes se reuniram para discutir as resistências em curso. As camaradas do Sotsialnyi Rukh, na Ucrânia, falaram com especial veemência sobre as realidades da vida sob a ocupação e a guerra, em uma situação em que o fardo bélico é distribuído de forma desigual. Paralelamente, eles lutam contra as reformas trabalhistas regressivas e contra a corrupção do governo Zelensky, pela igualdade de gênero e em solidariedade ao povo palestino.
As intervenções vindas dos Estados Unidos e sobre a situação naquela potência também foram significativas, lembrando aos participantes a ligação entre a ofensiva de Trump contra a América Latina e a guerra contra os migrantes dentro dos próprios Estados Unidos, discutindo a amplitude da resistência contra o ICE, particularmente em Minneapolis, e o projeto de uma nova mobilização No Kings. O relatório final desta sessão veio de camaradas da China e do Japão e concentrou-se em uma importante conferência pela paz no Japão prevista para o final deste ano, que tem um potencial real de mobilizar militantes em toda a Ásia Oriental.
Ações concretas
O Comitê Internacional também discutiu uma série de iniciativas políticas importantes nas quais os camaradas da IV Internacional estão fortemente envolvidos. A Conferência Antifascista de Porto Alegre, realizada no final de março, não poderia ter ocorrido em momento mais oportuno, e dará origem à publicação de um boletim expondo as posições da Internacional sobre essas questões. Os pontos relativos ao Encontro Ecossocialista (1) em Bruxelas, em maio, e ao G7 (2) em junho resultaram na adoção de declarações destinadas a incentivar a participação nessas mobilizações. Também destacamos a importância da participação no Webinar Mundial Antimilitarista, que ocorreu em 4 de abril, em preparação para a Cúpula contra a OTAN, a se realizar em Istambul no mês de julho.
Adotamos igualmente resoluções relativas à aceleração do processo de militarização do mundo, com um texto de solidariedade com a Ucrânia, outro contra a intervenção militar contra o Irã e um texto mais geral opondo-se às políticas de rearmamento europeu.
A reunião foi encerrada com uma sessão dedicada à discussão sobre como colocar em prática as tarefas de construção do partido descritas na resolução do Congresso, nomeadamente reforçando nossa imprensa e nossa visibilidade pública, conduzindo uma campanha em torno do Manifesto, que já foi publicado em uma dúzia de idiomas, e elegendo uma Mesa Executiva reforçada. (24 de março de 2026)
1) 7º Encontro Internacional Ecossocialista, Bruxelas, 15 a 17 de maio de 2026
2) Mobilização contra o G7 nos dias 13-14 de junho de 2026.
(*) Terry Conway é militante da Anticapitalist Resistance, seção britânica da IV Internacional, em Londres, e membro da direção da IV.

