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Intervenção na Venezuela mostra poder dos EUA e coloca desafios

por Antoine Larrache
Reunião de gabinete de Delcy Rodríguez
Reunião do gabinete complet da "presidenta interina" Delcy Rodríguez: cumprindo diretrizes impostas por Trump

Nesta entrevista, Franck Gaudichaud afirma que o sequestro de Maduro é expressão da nova estratégia dos Estados Unidos para a reorganização do mundo. Uma estratégia que se realiza, antes que nada, no reforço da pressão imperialista sobre a América Latina.

 

O que aconteceu durante o sequestro de Maduro?

Ainda há muitos elementos e detalhes que desconhecemos, mas estamos diante de uma agressão imperialista de grande envergadura e, literalmente, de um golpe de Estado, que ocorreu na noite de 2 para 3 de janeiro. A Venezuela foi bombardeada com um desdobramento militar sem precedentes (com mais de 150 aviões e helicópteros). É a primeira vez que um país da América do Sul é bombardeado dessa forma (lembremos da intervenção contra Noriega, no Panamá, em 1989, ou a invasão de Granada em 1983, com a prisão e posterior execução do primeiro-ministro Maurice Bishop).

A presença militar dos EUA era massiva na região do Caribe há vários meses, com destaque para a presença do maior porta-aviões do mundo, o Gerald Ford, tudo isso sob o pretexto da luta contra o narcotráfico. A possibilidade de uma intervenção acabou se confirmando. Houve um desembarque de forças especiais durante a intervenção e a destruição de vários pontos neurais e de defesa. A quase total ausência de defesa organizada, especialmente antiaérea, das Forças Armadas Nacionais Bolivarianas (FANB) permitiu, em tempo recorde, capturar e sequestrar o presidente Maduro e sua companheira, a deputada Cilia Flores, que foram, portanto, “retirados” e deportados para os Estados Unidos. Eles chegaram até a ser apresentados a um juiz em Nova York sob acusações fantasiosas, incluindo a de estar à frente de um “narcoestado”.

Essa operação militar, que viola a soberania da Venezuela e – evidentemente – todas as leis internacionais (que são a última das preocupações de Trump), inaugura uma tentativa brutal de recolonização do país e, talvez até mesmo, a instauração de um protetorado a médio prazo, se acreditarmos nos primeiros anúncios da Casa Branca. No contexto da longa crise do capitalismo, do declínio da hegemonia mundial dos Estados Unidos e da reorganização violenta do sistema Inter imperialista, Trump tem como objetivo disciplinar todo o « hemisfério » sob seu domínio, graças ao maior arsenal militar-industrial que a humanidade já construiu. Trata-se, também e mais diretamente, de retomar o controle da Venezuela bolivariana e preparar a pilhagem colonial da imensa reserva de petróleo pesado do país.

De acordo com suas informações, qual é a atitude do aparato estatal e das camadas dominantes na Venezuela em relação a essa operação?

Isso ainda está em processo de reorganização. O que se constata – e o que confirmam nossos contatos no local –, é que, após o sequestro do presidente, há de fato uma continuidade do aparato estatal madurista, que hoje é encarnado pela figura da presidente interina Delcy Rodríguez. Tanto as direções militares quanto as civis, as altas esferas da burocracia e as diferentes facções da burguesia bolivariana envolvida em negócios duvidosos parecem estar formando um bloco... por enquanto. É claro que a atitude do exército, pilar do controle político de Maduro, especialmente desde as crises de 2017-2019, é determinante.

Vemos, por enquanto, ao lado de Delcy Rodríguez os principais dirigentes do que era o madurismo no poder desde 2013. A começar por Diosdado Cabello, que é o homem forte do regime, já que controla a polícia e mantém laços muito fortes com o exército e com a China. O inamovível ministro da Defesa e chefe do Estado-Maior, Vladimir Padrino López, também demonstra seu apoio, assim como o irmão da presidente, Jorge Rodríguez, um dos homens-chave do chavismo, e posteriormente do madurismo, hoje presidente da Assembleia Nacional. Há, no entanto, dúvidas sobre até que ponto um setor do regime teria abandonado Maduro antecipadamente e “pactado” a transição em curso, diante da pressão máxima exercida pelos Estados Unidos e dos repetidos fracassos nas negociações com Trump. Toda uma parte da burocracia em vigor, e particularmente os altos dignitários militares, busca salvar seus interesses econômicos na extração de petróleo e mineração e sua impunidade. Mas com que margem de manobra hoje? E na ausência de um vasto movimento de resistência nacional?

O fato é que não houve capacidade de reação diante de uma agressão, embora esperada em todo o mundo e com forças armadas supostamente em alerta permanente. Vários bilhões de dólares foram investidos em equipamento russo e chinês, notadamente para proteger Caracas e o espaço aéreo, com defesa antiaérea e radares sofisticados, nos últimos anos. Tudo parece ter sido neutralizado antecipadamente. Há, portanto, muitas incógnitas nesse sentido, mas não houve nenhuma ordem de defesa. Esse silêncio significa cumplicidades ativas ou passivas internas, uma perda total de controle da cadeia de comando, uma passividade estratégica assumida pelo Estado-Maior na expectativa de uma reorganização do poder sem Maduro? Os debates e rumores estão veementes em Miraflores, assim como em toda a Venezuela. Quem pagou o preço dessa debacle foram mais de 100 pessoas (civis e militares), incluindo membros da guarda pessoal de Maduro e, em particular, 32 agentes cubanos assassinados.

Quanto à posição de Delcy Rodríguez, ela confirmou a instaurada do estado de exceção: estamos, portanto, longe de uma perspectiva de abertura e democratização; é exatamente o contrário, mesmo que vários presos políticos também tenham sido libertados, incluindo o opositor Enrique Márquez. As declarações de Rodríguez parecem confirmar o que Trump e Marco Rubio anunciaram orgulhosamente em sua coletiva de imprensa após o ataque:

eles estariam dispostos a instaurar uma nova era de « cooperação » com os Estados Unidos, nomeadamente para facilitar a « reconstrução » da indústria petrolífera sob controle imperialista. Internamente, a presidente reiterou, no entanto, que se trata de salvar a soberania do país, solicita oficialmente a libertação de Maduro e Flores e assume um tom anti-imperialista em seus discursos na televisão. O chefe da CIA, no entanto, acaba de ser recebido em Caracas e até mesmo condecorado! Trump anunciou que cancelava qualquer novo ataque, pois « os Estados Unidos e a Venezuela agora trabalham bem juntos »

Até que ponto um madurismo sem Maduro poderá se organizar? Por que não há uma mobilização significativa das bases chavistas e populares?

A opção que se pensava ser a de Trump era a de uma mudança de regime, colocando no trono a oposição ultraconservadora, neoliberal e pró-Estados Unidos, encarnada por Maria Corina Machado e pelo candidato à presidência de 2024, Edmundo Gonzalez, destituído após fraude eleitoral. Mas Machado foi humilhada publicamente e deixada de lado por Trump: e não foi a entrega de sua medalha do Prêmio Nobel da Paz ao autocrata dos Estados que vá mudar grande coisa! A aposta de Trump é, portanto, claramente apoiar-se no aparato estatal madurista, calculando que eles controlam o país (com mão de ferro) e constatando que mantêm o apoio do exército e uma certa base social, o chavismo popular, que convém canalizar. Isso ao exercer, paralelamente, uma ameaça e uma pressão político-militares imperiais consideráveis.

Os cálculos de Washington são de que Corina Machado e Edmundo González não seriam capazes de reorganizar radicalmente o país sem um apoio direto do imperialismo, inclusive com tropas em terra. Um cenário ao estilo do Iraque é impensável para Trump e seria muito oneroso, inclusive no plano interno, considerando que sua base MAGA é muito crítica, que a situação nos Estados Unidos não é boa e que as eleições de meio de mandato se aproximam.

É bastante surpreendente que o aparato estatal e a boliburguesia sejam capazes de tal reviravolta.

Todos estão na expectativa, o governo interino venezuelano no poder oscila entre o calor e o frio, inclusive em relação à sua própria população. Mas a queda é violenta, especialmente para aqueles que acreditavam ser possível uma resistência nacional massiva. O que prevalece é o medo e a incerteza e, se houve algumas manifestações de apoio a Maduro, elas permaneceram relativamente tímidas.

Isso não é tão surpreendente. Por um lado, diante da imensa assimetria militar e da pressão política máxima exercida pelo imperialismo norte-americano contra a Venezuela, em um contexto regional cada vez mais hostil. Mas também porque assistimos,

há bem mais de uma década, a uma desintegração autoritária, a um colapso político, à destruição econômica do país de Chávez e do que o processo bolivariano e seu impulso nacional-popular radical, progressista e anti-imperialista puderam encarnar por um tempo, nos anos 2000.

O madurismo aprofundou os pontos mais problemáticos do chavismo e consolidou no poder uma casta boliburguesa, oligárquica, que acumulou, por meio da expropriação e da corrupção, as divisas provenientes da extração de petróleo e mineração. Depois de reprimir as manifestações e setores da oposição conservadora pró -imperialista, fechado temporariamente o parlamento eleito e concentrado os poderes, Maduro fez o mesmo com a oposição de esquerda, contra antigos aliados de ontem (o Partido Comunista, em particular), prendendo sindicalistas ou ex-dirigentes chavistas.

A deterioração da situação interna, agravada por anos de sanções injustas e bloqueios dos Estados Unidos, provocou o exílio de 8 milhões de venezuelanos (de um total de 28 milhões de habitantes!). Embora nos últimos anos tenha havido uma lenta e contínua recuperação econômica, aliás personificada pela gestão muito pragmática de Delcy Rodríguez, responsável pela extração de petróleo. Como denunciam vários sindicatos venezuelanos, a política econômica e os direitos trabalhistas sob Maduro se assemelham mais a uma distopia neoliberal selvagem e à destruição de todos os direitos fundamentais do que ao socialismo…

Nessas condições, a ausência das condições para uma resistência anti-imperialista com uma base popular mobilizada por trás de um governo nacional legítimo é bastante evidente. E o governo Trump está perfeitamente ciente disso. Não estamos de forma alguma em abril de 2002, quando Hugo Chávez sofreu um golpe de Estado, apoiado pela CIA e pela patronal local, e foi “salvo” por uma mobilização popular muito forte, enquanto os militares demonstravam sua disposição de rejeitar esse golpe pró-imperialista.

Existem, no entanto, setores do aparato militar -civil que ainda estejam ancorados nessa perspectiva nacional-popular e dispostos a resistir? O chavismo popular, as esquerdas críticas, os sindicatos e os movimentos sociais estão consideravelmente enfraquecidos, alguns desmoralizados ou outros cooptados. Com muita resignação e, até mesmo, esperança (vã) por parte de uma parcela não desprezível da população que acredita que essa nova crise poderá afrouxar o estrangulamento do país e que a chegada de capitais norte-americanos trará uma recuperação econômica… Assistiremos à implementação de uma espécie de cogestão forçada e de colaboração « pró-imperial » por parte de uma parte da casta boliburguesa para salvar seus interesses (o que, aliás, é improvável a longo prazo), para, por outro lado, continuar a manter o país nesse contexto de quase-protetorado ? Quais serão as capacidades de reorganização autônoma das classes populares e de luta para rejeitar tanto a tutela de Trump quanto exigir a democratização do país, neste novo contexto, após anos de imensa precariedade material?

Trump explicava querer recuperar os recursos petrolíferos supostamente roubados dos Estados Unidos.

O sátrapa norte-americano anuncia de forma direta e sem rodeios a pilhagem a que pretende se entregar e a retomada do controle do país. Historicamente, desde a descoberta do petróleo e dos primeiros poços em 1914, e sobretudo na época da era de ouro da extração nos anos 60 sob o domínio das multinacionais ianques, estas puderam se beneficiar plenamente da extração petrolífera, com taxas de lucro gigantescas, desmedidas, muito maiores, por exemplo, do que na Arábia Saudita ou no Oriente Médio. 

Isso está no espírito da oligarquia no poder nos Estados Unidos, e há uma vontade de voltar a esse tipo de acumulação por desapropriação. Quando Trump diz que eles foram “excluídos”, poderíamos pensar que ele se refere à nacionalização de 1976 pela social-democracia venezuelana (sob Carlos Andrés Pérez), mas, na verdade, ele se refere mais diretamente a 2007, quando Chávez reorganizou empresas mistas em benefício da PDVSA e nacionalizou grande parte da extração na faixa petrolífera do Orinoco, onde se encontra atualmente a principal reserva. Com provavelmente 300 bilhões de barris, é a maior reserva comprovada do mundo, mas de um betume extrapesado e muito caro de refinar.

O que o bilionário Trump gostaria é que essa reserva voltasse para as mãos da Exxon, da Chevron e das grandes multinacionais americanas, e deseja poder ditar o preço do petróleo bruto mundial (a Venezuela é um ator central da OPEP). Na verdade, isso não é tão fácil, num contexto em que, por enquanto, 80% das exportações vão para a China, e dada a degradação muito avançada das infraestruturas (com, ainda assim, 800.000 barris/dia atualmente). De qualquer forma, há grandes investimentos a serem realizados: alguns falam de 60 bilhões ou até 100 bilhões de dólares ao longo de vários anos, a serem injetados pelo capital norte-americano. Nada está decidido, pois seria necessário garantir a longo prazo o controle social e político do país e a marginalização efetiva da China. Trata-se realmente de uma perspectiva de recolonização.

E, ao mesmo tempo, se esse eixo energético salta aos olhos – em seu discurso, Trump declara que «o dinheiro sai do solo na Venezuela» –, o aspecto geoestratégico é, a meu ver, essencial e é, aliás, expresso com brutalidade por Marco Rubio: trata-se de disciplinar toda a região, ameaçar a América do Sul. Com o Brasil na mira, que ainda possui uma relativa autonomia geoestratégica. E, ao mesmo tempo, realinhar o espaço caribenho, derrubar Cuba (a obsessão do clã Rubio) como um fruto maduro, em vez de por meio de uma intervenção, Cuba, que está perdendo seu aliado essencial em Caracas, enquanto a economia da ilha se encontra em uma situação ainda pior do que no início dos anos 1990. E ameaçar a Colômbia, o México, seus governos progressistas e sua relativa autonomia no cenário regional.

Os documentos da “nova estratégia de segurança nacional” da Casa Branca, publicados em dezembro passado, confirmam uma vontade de revolucionar as relações internacionais e até mesmo uma “fascistização” da ordem mundial. Éric Toussaint acaba de dedicar-lhes um estudo detalhado (1). Entramos novamente na era dos Estados predadores, do gangsterismo imperialista (que, é certo, nunca desapareceu), onde apenas a força bruta conta: a América Latina é o quintal deles, enquanto Putin pode, mais ou menos, fazer o que bem entender na escala europeia (a burguesia europeia é desprezada por sua fraqueza e divisão), inclusive na Ucrânia, enquanto a China encarna o verdadeiro inimigo « sistêmico »: um Império do Meio a ser enfraquecido na região latino-americana e contido no Sudeste Asiático.

O governo Trump está redesenhando o mundo para enfrentar o declínio de seu Império hegemônico. Esta nova fase das relações internacionais na era da quarta era do capitalismo e das grandes mudanças climáticas e ecológicas é mais perigosa do que nunca, com a remilitarização das relações entre Estados e dos conflitos bélicos em escala continental. Gilbert Achcar descreve uma « nova guerra fria » (2), bloco contra bloco, e esta está cada vez mais repleta de conflitos abertos, “quentes”, e de violência colonial, a começar pelo genocídio em Gaza.

Como você vê o processo dessa recolonização na América Latina, sabendo que a China é atualmente o principal parceiro comercial da América Latina?

Vemos as consequências do que chamamos, há algum tempo, a policrise do sistema capitalista e Inter imperialista. As grandes potências não se recuperaram realmente da crise desde 2008 e estamos, de maneira mais ampla, em uma longa onda de “estagnação secular”, com a reorganização em curso das cadeias de valor e uma hiperconcentração do capital em nível mundial (3).

Nesta fase, a atual primeira potência – os Estados Unidos da América –, em declínio, quer recuperar violentamente espaço, recursos, mercados e capacidade de projeção geoestratégica. Nesse sentido, é muito interessante voltar aos escritos de Lênin, Rosa Luxemburgo, Ernest Mandel ou Samir Amin sobre o imperialismo, sem lê-los como uma “verdade revelada”, bem como aos ricos debates da década de 1970 sobre as relações centro-periferia, a teoria do desenvolvimento desigual e combinado ou ainda a da dependência (4). Os autores que pensavam que a era do imperialismo estava mais ou menos acabada ou que veríamos surgir um “superimperialismo” das multinacionais, trans estatal, que governaria o mundo, estavam profundamente enganados: o que se confirma é, de fato, um sistema Inter imperialista fortemente hierarquizado e competitivo, apoiado sobretudo em Estados nacionais fortes e em potências militares nacionais. As multinacionais acompanham-nos nesse processo, assim como o capital financeiro.

Nesse contexto, a ideia de “segurança hemisférica” e da doutrina de segurança nacional, que está no cerne do pensamento estratégico norte-americano para a América Latina, reafirma-se de forma ultraviolenta. A doutrina Monroe, com o corolário Roosevelt e a política da canhoneira, é revisitada pela administração Trump com estrondo e violência. De acordo com essa visão de mundo, o problema agora é a concorrência da China em todos os planos, notadamente no da tecnologia, das infraestruturas (incluindo as das Big Tech e da moeda) e do poder geopolítico (embora ainda não no plano militar). O trabalho de Benjamin Bürbaumer é esclarecedor a esse respeito: o desenvolvimento capitalista da China desde a década de 1990 coloca diretamente em risco a globalização sob a hegemonia dos Estados Unidos e do dólar, tal como se construiu ao longo da segunda metade do século XX (5). A China está ultrapassando comercial e economicamente os Estados Unidos na região latino-americana: é o principal parceiro comercial do Brasil, do Peru, do Chile e de toda a América do Sul. Essa dinâmica parece quase inalterável. Até mesmo o México, que está, no entanto, completamente integrado à rede e às cadeias de valor norte-americanas (por meio de um acordo de livre comércio, notadamente), tem como segundo parceiro comercial a China, com empresas instaladas diretamente pelo Império do Meio na fronteira com os Estados Unidos.

Trump disse e repete: não era mais possível que a China controlasse os portos do Pacífico e do Atlântico nas entradas do Canal do Panamá,

e ele conseguiu alterar a situação por meio de pressão política e milhões de dólares: o Panamá é novamente um canal totalmente sob a bandeira dos Estados Unidos. Suas ferramentas são as múltiplas bases americanas, a mobilização da Quarta Frota, o controle muito rigoroso nos planos militar, informativo e sempre econômico, enquanto a China dispõe, nesta fase, de meios militares efetivos na região. 

A relação com a Colômbia é, nesse sentido, central, uma vez que, até então, esse país era a chave da geostratégia militar para a região sul-americana, por meio do “Plano Colômbia” e sob o pretexto da luta contra as guerrilhas e os “narcos”. Isso enquanto o espaço da América Central e do Caribe é considerado mais facilmente controlável (embora Cuba continue a resistir). Isso explica os conflitos diplomáticos muito acirrados de Trump com o presidente Petro, mesmo que negociações estejam em andamento.

Os resultados dessa batalha de titãs são incertos – mesmo na Argentina de Javier Milei, a China continua sendo fundamental nas relações comerciais. Há, portanto, aspectos geopolíticos e ideológicos. Trump quer fortalecer os “seus”: as extremas direitas regionais, os Milei, os Bolsonaro, os Kast e pratica o intervencionismo eleitoral, como fez nas eleições de meio de mandato na Argentina. Ele também conseguiu isso com sucesso em Honduras muito recentemente e continuará a contar com Kast, o pinochetista recém-eleito no Chile, com o bilionário conservador Noboa no Equador, com a direita conservadora liberal na Bolívia, e a pressionar os governos, mesmo os muito moderados, como o de Lula no Brasil, para dizer: «se vocês nos resistirem, serão considerados inimigos, e se forem inimigos, aplicaremos tarifas alfandegárias totalmente inéditas de 40 ou 50%, ou simplesmente os ameaçaremos militarmente, como fizemos na Venezuela».

Essa demonstração de força, que é também a que está em curso contra a Groenlândia, mostra que os Estados Unidos são cada vez menos uma “hegemonia” capaz de projetar força, mas também soft power, de adesão e de consenso: representam agora a dominação bruta centrada nas relações de força político-militares e nos decretos comerciais, tendo como pano de fundo a ameaça de destruição econômica ou colonial contra os “não alinhados”, incluindo a Europa e os aliados da OTAN.

Deve ser complexo modificar as cadeias de valor e a organização internacional do trabalho. Isso exigirá governos extremamente repressivos. Mesmo na Venezuela, isso corre o risco de ser contraditório com o que Trump ou outros poderão apresentar como uma suposta abertura democrática.

Exatamente. É interessante notar as recentes declarações de figuras que representam o capitalismo fóssil norte-americano e as grandes corporações.

Eles expressaram suas dúvidas e relutâncias quanto ao investimento considerável que representaria a “reconquista” do petróleo da Venezuela em seu benefício, e as poucas garantias de que dispõem sem uma estabilização política difícil de obter sem a instalação de um protetorado repressivo e oneroso. Trump deve tê-los recebido e reiterado seu compromisso ao lado deles.

Em troca, os líderes chineses manifestaram sua rejeição à agressão contra seu aliado venezuelano. Foi um duro golpe que acabaram de receber, já que seu material militar no local se revelou ineficaz. O enviado especial de Xi Jinping para a América Latina havia se reunido longamente com Maduro em Caracas poucas horas antes do ataque de Trump… No entanto, eles emitiram novos documentos estratégicos renovando sua rejeição ao imperialismo norte-americano, sua disposição para a cooperação “amigável” e a transferência de tecnologias com os países latino-americanos, em contraposição à atitude belicosa dos Estados Unidos.

A China compreendeu bem a ameaça. Seu calcanhar de Aquiles é sua dependência energética – o país importa 70% de suas necessidades de petróleo. Os dirigentes chineses buscarão consolidar sua influência na América Latina, em nome do respeito mútuo, apesar do revés venezuelano, sem entrar em confronto direto com Trump no hemisfério. Eles apresentam um discurso de “ganha-ganha”, mas a relação China/América Latina continua completamente assimétrica: eles querem cada vez mais matérias-primas, minerais, terras aráveis e agroindústria. Eles anunciam que pretendem atingir sua meta de 700 bilhões de dólares em investimentos na região até 2035. O megaporto de Chancay, que acaba de ser inaugurado, é seu carro-chefe na região para as “rotas da seda”. No entanto, a desaceleração econômica também atinge a China.

Mesmo que o Partido Comunista Chinês se inscreva no discurso do multilateralismo, na construção dos BRICS e do “Sul Global”, muitos ativistas estão cientes de que o capitalismo voraz do gigante asiático não pode representar uma perspectiva alternativa real em termos de emancipação, desenvolvimento e até mesmo em termos diplomáticos. Vimos isso em seu silêncio diante dos massacres em Gaza, ou mesmo em seu apoio a Netanyahu, de forma direta ou indireta. Eles defendem outra ordem global, é verdade, mas que não será a da libertação dos povos do Sul (6).

A região latino-americana encontra-se na fronteira entre duas placas tectônicas em conflito: um imperialismo dominante, violento e em crise, e uma hegemonia imperial global potencialmente em formação. Neste momento, os Estados Unidos representam mais de 36% do total dos gastos militares do planeta. É um número considerável. 250 mil militares norte-americanos estão mobilizados ao redor do mundo, enquanto há apenas algumas centenas de chineses e talvez 30 a 35 mil russos… Trump quer se apoiar nesse enorme poder militar-industrial para tentar restabelecer o lugar dos Estados Unidos como global player sempre intocável.

Você tem informações sobre as resistências a essa ofensiva na América Latina? Qual é a postura dos governos ditos “progressistas »?

No que diz respeito aos governos progressistas ou de centro-esquerda, eles denunciam a agressão contra a Venezuela, o sequestro do presidente Maduro, a ruptura da ordem internacional e a violação da soberania de um país vizinho. Tanto Lula, quanto Claudia Sheinbaum no México, Boric no Chile e, de forma mais clara, Gustavo Petro na Colômbia, o que, aliás, não significa uma adesão da parte deles ao regime de Maduro.

Lula interveio essencialmente no plano diplomático e de forma bastante tímida: ele solicitou uma reunião urgente da ONU, como espaço legítimo para a resolução de conflitos internacionais, e tentou mobilizar a Organização dos Estados Americanos, mas, ao mesmo tempo, demonstra certa impotência. Ao passo que, nos anos 2000, os governos nacionais-populares tinham uma forte capacidade de cooperação e de integração, com a Unasul, a Celac e até mesmo a Alba (7) para tentar exercer influência no cenário internacional, estamos novamente diante de uma fragmentação.

Não se fala mais em projetos como o Banco do Sul, nem mesmo de uma moeda comum alternativa. Hoje, o ideal da Patria Grande está em declínio em toda parte, os nacionalismos e a extrema direita estão em alta, o colapso da experiência bolivariana pesa sobre toda a região, Cuba está asfixiada, o Movimento ao Socialismo (MAS) boliviano está se dilacerando, a experiência de Boric dá lugar a Kast etc. Os governos progressistas em exercício (Brasil, Colômbia, México, Uruguai) parecem relativamente isolados, embora Petro e, mais ainda, Claudia Sheinbaum demonstrem ter conseguido consolidar uma base social pluriclassista e eleitoral sólida.

O fator decisivo nesse contexto são as resistências “vindas de baixo”, as lutas de classes e populares, independentemente da posição dos governos, pela autodeterminação e pela soberania nacional. Uma maneira de ter mais peso no cenário regional e diante de Trump, inclusive para as esquerdas no poder, seria apoiar-se em uma população mobilizada, reivindicando o horizonte histórico anti-imperialista que ainda está muito presente no imaginário e nos valores coletivos de uma parte dos latino-americanos.

No entanto, no Brasil ou com Boric no Chile, a política progressista tem sido, ao contrário, a de neutralizar as lutas e os atores mobilizados. Sem falar, aliás, da Venezuela. O governo Maduro cooptou ou reprimiu as resistências, e o que não fez diretamente, o colapso econômico se encarregou de fazer. Ainda restam “comunas” e algumas experiências corajosas de auto-organização, que devem ser apoiadas, mas que são frágeis. 

Isso não significa que não haja, neste exato momento, múltiplas mobilizações e resistências. O continente de Sandino e dos zapatistas continua repleto de lutas. No Brasil, isso é muito claro, como vimos no último período, e o Movimento dos Sem-Terra (MST) continua poderoso, apesar de seus debates internos sobre a relação com o lulismo. No Equador também, diante de Noboa, com as grandes mobilizações da Conaie, a Confederação das Nações Indígenas do Equador, dos sindicatos urbanos e dos coletivos ecológicos, que conseguiram infringir uma derrota política esmagadora ao governo no referendo de novembro de 2025, rejeitando o projeto de uma nova base militar ianque e a reforma autoritária da Constituição. Portanto, em vários países, as coisas estão mudando.

Poderíamos falar do poder dos movimentos feministas, indígenas e descoloniais: isso é, por exemplo, uma esperança no Chile para enfrentar Kast e suas medidas de retrocesso social, racistas e patriarcais. Mas não há atualmente mobilizações em escala continental, como pudemos ver no passado, por exemplo, para enfrentar o projeto da Alca (8), derrotado em 2005. Um ponto de apoio que poderia ser realmente fundamental são as mobilizações cada vez mais massivas em curso no coração dos Estados Unidos, o movimento No Kings, as lutas contra a violência policial e a polícia fascista de imigração (ICE), a vitória de Mamdani em Nova York, a recomposição da esquerda contra o establishment democrata…

Por outro lado, é preciso reconhecer que há um refluxo neoconservador, ou mesmo reacionário em muitos aspectos, na maioria dos países, que pesa fortemente. A violência também invade o cotidiano e a mídia: a dos cartéis e do narcotráfico, a do Estado ou dos paramilitares, ou as migrações forçadas. É o caso do Chile, que conheço de perto. É imperativo para nós compreendermos bem o que levou esse país da grande revolta popular de 2019 (severamente reprimida) à vitória esmagadora do neopinochetismo de José Antonio Kast em 2025: isso é fundamental, na minha opinião, pois se trata de uma derrota significativa para todas as esquerdas sociais e políticas em um país emblemático do neoliberalismo mundial (10).

Estamos passando por um momento em que os neofascismos e as direitas conservadoras podem parecer uma “alternativa” aos olhos de uma parte significativa das classes populares. Em que as esquerdas estão desacreditadas ou perderam o contato com as camadas populares em benefício das igrejas evangélicas conservadoras. É claro que, do nosso ponto de vista, trata-se de uma “alternativa” regressiva a serviço do capital, a serviço da destruição do meio ambiente, do patriarcado, da dominação brutal das oligarquias etc. E a serviço do imperialismo norte-americano. Assim, Kast comemorou ruidosamente o sequestro de Maduro e de Cilia Flores. O mesmo aconteceu com Noboa, que publicou tuítes afirmando que o ataque era uma excelente notícia para a América Latina. A extrema direita brasileira pensa da mesma forma. São “lacaios” de Trump. Enquanto as eleições se aproximam no Brasil, na Colômbia e no Peru, daqui a alguns meses. Na Colômbia, há um risco real de ver um retorno da direita. O que acontecerá no Brasil, com uma esquerda institucional ainda dependente da figura de um Lula envelhecido, com seus 80 anos?

Que sugestões você daria para um programa de transição anti-imperialista mundial?

Isso é muito ambicioso! E não saberia responder sozinho a tal pergunta, que, além disso, deveria ser adaptada às condições locais, nacionais e, posteriormente, globais, com base nas elaborações coletivas das populações envolvidas. O que se pode dizer com facilidade é que certamente não é nesse contexto de militarização, de ofensivas imperiais, de guerras, de genocídio em Gaza, de invasão da Venezuela, de submissão generalizada dos povos a governos autoritários, de repressão em massa como no Irã, de fascistização, que vamos encontrar a saída… Portanto, como dizia o amigo Daniel Bensaïd, é preciso começar por dizer não! (11).

No contexto latino-americano atual, as esquerdas militantes e radicais buscam, em primeiro lugar, construir uma resistência anti-imperialista a mais ampla e unificada possível em escala continental, em apoio à Venezuela e para se defenderem desde já contra novas intervenções no continente. Nesta fase, a mobilização continental permanece muito aquém da urgência do momento. Eles e elas exigem a retirada imediata da imensa armada que os Estados Unidos mantêm há meses no Caribe e a libertação de Maduro e Cilia Flores, com base no princípio de que cabe ao povo venezuelano, e somente a ele, decidir quem o governa (11).

Nos países do “Sul”, isso requer a criação de amplas frentes unidas para rejeitar os ataques à soberania e à autodeterminação dos povos. Mas tais frentes de resistência, abertas e não sectárias, não devem, de forma alguma, sacrificar, ao mesmo tempo, a construção de esquerdas combativas, independentes das burguesias nacionais e dos progressismos governamentais vacilantes que têm demonstrado todas as suas contradições nos últimos 25 anos.

Isso significa também um debate franco e transparente com as numerosas correntes “campistas” latino-americanas, assim como no plano internacional: a “geopolítica” não pode levar a varrer para debaixo do tapete a luta contra os autoritarismos, sejam eles quais forem, e a defesa incondicional dos povos em luta contra imperialismos que não sejam o de Trump (a começar pela Rússia). Nos países do “Norte global”, a urgência é a construção de uma solidariedade internacionalista ativa e concreta. É isso que começamos, ainda timidamente, a implementar na França em torno da Venezuela. Um internacionalismo que terá também como tarefa denunciar a hipocrisia e a responsabilidade de nossos próprios governos na desordem mundial e sua submissão a Trump: Gaza veio nos lembrar isso dolorosamente e, no caso da Venezuela, a posição escandalosa do governo Macron também. No curto prazo, em março próximo, a conferência antifascista de Porto Alegre poderá ser um ponto de apoio a ser valorizado (12). Espera-se que ela possa ser transformada também em uma conferência internacional anti-imperialista para tentar reunir em torno de objetivos comuns, sem sectarismo, forças políticas, mas também sociais, que não concordam em tudo: o PT, o PSOL, a CUT brasileira, setores da esquerda radical de todo o continente, a Via Campesina, as forças sindicais e os movimentos sociais de um pouco de todo o lado.

No que diz respeito às alternativas concretas, deveríamos tentar colocar em destaque a consigna de “guerra à guerra imperialista”, ao mesmo tempo em que apoiamos aqueles e aquelas que conduzem corajosamente resistências de libertação, notadamente na Ucrânia, na Palestina ou no Curdistão. Além desse aspecto “defensivo”, isso significa pensar coletivamente e “de forma positiva” na construção de alternativas democráticas em um contexto de colapso climático, da biosfera e da biodiversidade e, portanto, conceber um programa de transição pós-capitalista e pós-produtivista, ou seja, uma perspectiva ao mesmo tempo ecossocialista e de decrescimento escolhido. Decrescimento, evidentemente, nos países ricos, mas diferenciada de acordo com critérios interseccionais (de classe, gênero, raça) e decrescimento para as oligarquias dos países do Sul. Com uma reconstrução dos serviços públicos, uma redistribuição radical da riqueza, a abolição das dívidas públicas ilegítimas, o planejamento ecológico em várias escalas (do local ao global) baseada na deliberação, no comunalismo, na auto-organização e no controle democrático. Uma perspectiva que coloca a questão da exploração e das opressões que atravessam nossas sociedades e nos atravessam como indivíduos (racistas, sexistas, capacitistas etc.).

Tudo isso não pode ser “proclamado” de forma abstrata, como um mantra. Como construir programas e medidas transitórias muito concretas que se inscrevam em uma estratégia mais geral com base em amplas deliberações? De quais histórias passadas podemos nos inspirar e tirar lições?

Como a esquerda pode voltar a “encantar o mundo”, falar aos “afetos” de milhões de pessoas, forjar um bloco histórico que coloque em questão o poder e sua conquista, sem se renegar nem cair no dogmatismo? Comecemos já por evitar respostas prontas; o século XX e seus horrores ainda estão presentes.

Sabemos que não haverá emancipação sem a emancipação do trabalho; a reconstrução dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras (assalariados e precários) poderia ser um primeiro norte. Tenhamos também “antenas” atentas às utopias e experiências. Por exemplo, a América Latina é terra do zapatismo e de vários processos revolucionários, e seus movimentos debatem há cerca de vinte anos os caminhos para construir uma sociedade do “bem-viver”, que se baseia em uma reinterpretação de certas reivindicações e práticas comunitárias dos povos indígenas.

O anterior vale para os direitos das mulheres e todas as reivindicações feministas contra o patriarcado (13). Vimos até que ponto o movimento feminista chileno foi capaz de ter uma visão transversal e radical para responder à “precarização da vida”, para enfrentar o neoliberalismo, promover o acolhimento digno dos migrantes e defender os direitos dos povos indígenas. É preciso, portanto, partir daí para pensar em transições, adaptadas a cada país, e reconstruir solidariedades regionais e internacionais. Diante do capital globalizado, é indispensável pensar nesse nível. Isso sem ceder aos cantos de sereia do “patriotismo” de uma parte da esquerda, inclusive a descolonial, assumindo que é preciso efetivamente “sonhar” novamente, reinventar nossos poderes coletivos, ajudar a construir as soberanias populares em vários níveis (incluindo o nível nacional, sem dúvida) (14).

A situação é sobre determinada pelo cataclismo – já em curso – que a mudança climática impõe à humanidade, e é preciso repensar tudo com base nisso. O famoso Programa de Transição (proposto já em 1938 por Trotsky) deve, assim, ser repensado de ponta a ponta. É nessa perspectiva que a Quarta Internacional contribuiu para o debate com o Manifesto por uma Revolução Ecossocialista – Romper com o Crescimento Capitalista, texto aprovado pelo último congresso mundial e fruto de uma elaboração coletiva internacional de vários anos (15). Os desafios são colossais: é urgente «pisar no freio de emergência», para retomar a bela fórmula de Walter Benjamin. No entanto, a amplitude dos desafios não deve nos paralisar: como diz Daniel Tanuro, “é tarde demais para ser pessimista” (16). Trump, Netanyahu, Macron, Putin e seu mundo são capazes do pior; sintamo-nos capazes de pensar no melhor!

18 de janeiro de 2026 

(*) Franck Gaudichaud é membro da direção da IV Internacional, do comitê editorial da Contretemps web e professor universitário em Toulouse (França). É autor ou organizador de várias obras sobre o Chile e a América Latina.

 

 

 

 

 

 

notes

1) “États-Unis: comprendre la ‘nouvelle doctrine de sécurité nationale’ et ses implications”, 16/1/2026, Contretemps web. 

2) Achcar, Gilbert. The New Cold War: The United States, Russia, and China from Kosovo to Ukraine, 2024, Haymarket Books, 2023. Leia também “Aux origines de la nouvelle guerre froide. Entretien avec Gilbert Achcar”, 29/4/2023, Contretemps web

3) Diogo Machado, Francisco Louçã, As transformações do regime de acumulação de capital”, neste site (da edição francesa da Inprecor n 740).

4) Amin, Samir. O desenvolvimento desigual, Forense Universitária, 1973. t Mandel, Ernest, A terceira era do capitalismo, Edição 10/18, 1976.

5) Benjamin Bürbaumer, Chine/États-Unis, le capitalisme contre la mondialisation, La Découverte, 2024.. 

6) Éric Toussaint, ‘Por que os BRICS não agem contra o genocídio em curso em Gaza”, acessível em: https://movimentorevista.com.br/2025/08/por-que-os-brics-nao-denunciam-… 6/10/2025.

 

7) Os Estados Unidos são membros da OEA, mas não da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba). 

8) Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

9) Karina Nohales, Pablo Abufom Silva, “Kast: la ‘voie démocratique’ vers le pinochetisme”, 15/12/2025, Inprecor.fr 

10) Daniel Bensaïd, Os Irredutíveis. Teoremas da resistência para o tempo presente. Boitempo, 2008.

11) Leia a iniciativa lançada por militantes latino-americanos “Parar a ofensiva neocolonial de Trump na Venezuela e na América Latina”, assinada por várias centenas de camaradas.

12) De 26 a 29 de março. Informações, programação e inscrições estão no site: https://antifas2026.org. 

13) Veronica Gago, A potência feminista ou o desejo de transformar tudo. Editora Elefante, 2020.

14) Coletivo “Rêver en matérialistes internationalistes” (Sonhar como materialistas internacionalistas), Contretemps web, 10/3/ 2025. 

15) O Manifesto por uma revolução ecossocialista – Romper com o crescimento capitalista está disponível em vários idiomas no site da IV Internacional e foi publicado no Brasil pela Boitempo, 2025.

16) Daniel Tanuro, Trop tard pour être pessimistes! Écosocialisme ou effondrement (Tarde demais para ser pessimista! Ecossocialismo ou colapso), Textuel, 2020.