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60 mil em Genebra contra o G7, o imperialismo e o fascismo

por Juan Tortosa
Genebra foi palco de uma das maiores maniestações contra o G7 dos últimos tempos

A mobilização realizada graças ao chamado da Coalizão NOG7 foi um enorme sucesso, apesar da política de intimidação e restrição das liberdades conduzida pelas autoridades, pela polícia e pela mídia na Suíça. Será que o fio condutor do altermundialismo finalmente se conectou?

O trajeto da manifestação vinha sendo negociado com as autoridades desde novembro. Encontramos intransigência por parte da ministra da Polícia, membro do Partido Socialista, e das autoridades da cidade de Genebra.

O trajeto solicitado por nossa coalizão não foi aceito. Eles não queriam que nos aproximássemos das ruas onde ficam as sedes das multinacionais e as lojas de luxo. O centro da cidade parecia uma cidade barricada; a maior parte das vitrines e algumas janelas estavam protegidas por tábuas. Assistimos a uma campanha política e midiática intensa por parte das autoridades e da direita contra possíveis atos de violência. 

O número de participantes na manifestação superou todas as previsões mais otimistas da Coalizão NOG7. Contávamos com cerca de 10 mil pessoas, mas éramos cerca de 60 mil!

A greve feminista continua sendo o movimento social mais poderoso, o mais bem enraizado socialmente e o mais capaz de mobilizar. Seu cortejo foi, sem dúvida, o mais numeroso. Suas reivindicações são radicais e anticapitalistas.

A solidariedade com o povo palestino se manifestou por meio de um grupo significativo. Os curdos, em toda a sua diversidade, também desempenharam um papel muito importante na manifestação.

O bloco “O vivo se defende” reuniu todos os movimentos ecologistas. No entanto, é lamentável a fraca presença dos sindicatos suíços, bem como a presença limitada e bastante simbólica dos sindicatos franceses.

Repressão e agressão

Alguns dias antes da grande manifestação, a cidade de Genebra estava em estado de sítio: milhares de policiais e militares vindos de outras regiões da Suíça haviam sido mobilizados na cidade de Calvino, apoiados pela polícia francesa, que podia intervir no cantão. Segundo os jornais, algumas pessoas foram revistadas até cinco vezes por dia; havia um grande número de viaturas policiais, e policiais suíços da região alemânica que não falavam francês.

Ao longo de todo o percurso, havia barreiras montadas em “pontos sensíveis” pelos quais os manifestantes deveriam passar.

Assim que a manifestação terminou, no mesmo parque onde havia começado, a polícia interveio brutalmente e cercou parte dos manifestantes. Mais de 300 pessoas ficaram cercadas até o amanhecer; em seguida, cerca de vinte delas foram levadas para a delegacia, antes de serem liberadas. 

A Coalizão NOG7 de Genebra e da França divulgou vários comunicados comemorando o sucesso da imensa manifestação, mas também denunciando os “graves abusos por parte das forças de segurança observados no domingo”. A coalizão condenou “os inúmeros disparos de gás lacrimogêneo, especialmente contra a parte do cortejo reservada às famílias e às crianças. Da mesma forma, a coalizão critica veementemente o escandaloso cerco a 549 pessoas, que se prolongou por quase 10 horas”.

Apesar da repressão, estamos muito satisfeitos com o caráter massivo, o clima de convívio, a diversidade e o caráter radical da manifestação. Essa sensação de vitória é um excelente trampolim para as mobilizações e os desafios que nos aguardam.  (23 de junho de 2026)

Juan Tortosa é membro da Coalizão NOG7 de Genebra, do CADTM-Suíça e da solidaritéS