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7º Encontro Internacional Ecossocialista acontece em Bruxelas de 15 a 17 de maio

por Coletivo
Mesa do Encontro Ecossocialista realizado em paralelo à COP 30, em Belém, Brasil
Mesa do Encontro Ecossocialista realizado em paralelo à COP 30, em Belém, Brasil, em 2025

Numa época em que a sobrevivência da humanidade está em jogo, precisamos de um movimento que volte a propor uma alternativa portadora de esperança, face à extrema direita e ao neoliberalismo. É por isso que convocamos todas as pessoas que lutam pela dignidade humana e por uma alternativa ao capitalismo destrutivo a se reunirem em Bruxelas, de 15 a 17 de maio de 2026, para o 7º Encontro Internacional Ecossocialista.

Juan Tortosa

Mais de um século após a alternativa proposta por Rosa Luxemburgo — “socialismo ou barbárie” —, a nova realidade do capitalismo extrativista empurra a humanidade à beira do abismo com uma nova equação: “ecossocialismo ou barbárie”.

Sete dos nove limites de perigo que condicionam a existência de nossa espécie na Terra foram ultrapassados: as mudanças climáticas, a integridade da biosfera, as mudanças no uso do solo, o ciclo da água doce, os ciclos biogeoquímicos, as novas poluições químicas e, o sétimo, a acidificação dos oceanos, foi ultrapassado em 2025. Em apenas quatro anos, a Terra ultrapassou oficialmente quatro desses nove limites de perigo.

Concretamente, já estamos vivendo os primeiros anos de um novo clima mais perigoso. A cada ano, um novo recorde é batido em termos de aumento da temperatura global. A cada ano, as catástrofes climáticas se multiplicam pelo mundo. As COPs sobre biodiversidade estão paralisadas; a destruição e o desaparecimento de espécies continuam.

Essa queda vertiginosa não é um efeito natural da “Terra”, mas o resultado de uma corrida pelo lucro cada vez mais exacerbada, da fuga destrutiva em direção ao “produzir sempre mais” em detrimento dos seres humanos e da natureza.

O chamado “capitalismo verde” é uma farsa que serve de pretexto para as políticas neocoloniais e de austeridade dos governos neoliberais, enquanto as emissões de gases de efeito estufa continuam a aumentar. Não há saída digna desse nome sem uma ruptura com a lógica de crescimento destrutivo inerente ao capital. A hora da ação não pode demorar; o trem descontrolado do capitalismo deve ser detido pela revolução ecossocialista.

A agenda neoliberal, imposta em nome do “rigor orçamentário” e do pagamento das dívidas públicas contraídas junto aos mercados financeiros, é hoje, mais do que nunca, sinônimo de destruição do Estado de bem-estar social, de catástrofe ecológica e climática e de transferência maciça de riquezas do Sul global para o Norte, e das classes populares para as classes capitalistas. Essa lógica impede qualquer perspectiva de redistribuição de riqueza, indispensável para realizar os investimentos cruciais para a justiça social e a bifurcação ecológica.

Inundações, secas, incêndios, temperaturas insuportáveis… Os fenômenos climáticos extremos, cada vez mais numerosos, violentos e mortíferos, afetam em primeiro lugar as populações mais empobrecidas do planeta, as do Sul global, e em particular as mulheres, as crianças e os idosos, sobretudo as pessoas racializadas e indígenas.

A lógica extrativista explora tanto os corpos quanto os territórios, ameaça os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras, agrava a precariedade das relações de trabalho, e a violência de gênero anda de mãos dadas com a violência dos proprietários de terras, das grandes empresas e dos governos contra as populações que resistem a essa lógica, entre as quais as populações indígenas e as mulheres, que muitas vezes estão na linha de frente da resistência.

Esses fenômenos, somados à mudança no uso do solo em uma lógica de espoliação e acumulação de capital, de urbanização para poucos, geram deslocamentos forçados de comunidades camponesas e indígenas, levando milhões de pessoas a uma migração forçada pelo mundo por motivos ambientais. Os governos dos países ricos apoiam o desenvolvimento de falsas soluções, o greenwashing e a fuga para a frente tecnológica, enquanto a extrema direita defende abertamente o negacionismo climático.

Organizar a resistência e fazer convergir nossas lutas

Diante de tudo isso, é indispensável organizar a resistência e o contra-ataque, fazendo convergir nossas lutas: ecossocialistas, territoriais e descoloniais, lutas ecológico-sindicais, pela justiça climática, lutas ecofeministas, anti-extrativistas… Mas também compartilhar nossas análises, nossas pesquisas e nossas experiências, a fim de construir uma perspectiva ecossocialista e anticapitalista, em escala internacional, que nos permita retomar a iniciativa na construção de uma sociedade mais justa que coloque a vida no centro.

Foi com esse objetivo que o 2º Encontro Ecossocialista da América Latina e do Caribe ocorreu em Belém (Brasil), de 8 a 11 de novembro de 2025, por ocasião da COP30 e em resposta ao impasse em que as COPs se encontram há décadas. Este encontro foi um grande sucesso graças à participação e aos setores representados, entre os quais pessoas afrodescendentes, povos originários da Amazônia, ativistas pela defesa de seus territórios, coalizões contra o extrativismo, camponeses sem terra, ativistas políticos… Suas propostas, suas visões descolonizadas a partir do Sul Global, suas alternativas ecossocialistas enraizadas em seus territórios e suas lutas serão fundamentais para a construção de nossos 7º Encontros Interna, assim como as conclusões e resoluções dos Encontros anteriores.

Desde 2014, a Rede dos Encontros Ecossocialistas reuniu-se em dois continentes e em cinco países diferentes. Depois de Buenos Aires (Argentina) em 2024, oEncontro será realizado em Bruxelas em 2026 e será uma oportunidade para reunir organizações, coletivos e movimentos sindicais, políticos, feministas, anticoloniais, de migrantes, de pesquisadores e pesquisadoras... de vários continentes, nomeadamente da Europa, da América Latina e da África.

Diante das forças destrutivas do capital, diante da extrema direita, diante das políticas de rearmamento generalizado e do aumento dos gastos militares, tanto na União Europeia e na OTAN quanto na China, na Rússia e em outros lugares, diante das guerras imperialistas travadas pelos Estados Unidos contra os povos do mundo, pela Rússia na Ucrânia, e diante do genocídio perpetrado por Israel na Palestina, oponhamos a resposta dos povos, daqueles e daquelas que fazem o mundo girar com seu trabalho, cuidando dos seres humanos e dos ecossistemas.

Diante da barbárie, rompamos com o capitalismo, opomos a ele a solidariedade internacionalista e um projeto de sociedade ecossocialista.

Nos vemos em Bruxelas de 15 a 17 de maio de 2026!

notes

Assinaturas

Sébastien Brulez, Gauche anticapitaliste, Bélgica – Pablo Laixhay, CADTM Bélgica – Vincent Noirhomme, CADTM Bélgica – Vanesa Dourado, ATTAC-Argentina – Paula Delfino, Marabunta, Argentina – Miguel Urban, ex-deputado do Parlamento Europeu, Anticapitalistas, Espanha – Daniel Tanuro, autor ecossocialista, IVe Internacional – Franck Gaudichaud, historiador, revista Contretemps web França – Jaime Pastor, redator da Viento Sur, Espanha – Joaquin Vega, Izquierda Unida, Andaluzia, Espanha – Charito Wuillemin, militante ecofeminista, membro do coletivo Jaguar, Genebra, Suíça – Mathieu Menguini, historiador HES-SO, Genebra, Suíça – Sébastien Bertrand, Grupo Ecossindicalista do Sindicato dos Serviços Públicos, Genebra, Suíça – Teo Frei, militante da solidariedadeS e da Jeunesse solidaire, Suíça – Sushovan Dhar, Alternative Viewpoint, Índia – Olivier Besancenot, NPA-L’Anticapitaliste, França – Flavia Verri, Rede Ecossocialista e Insoumis, França – Iñaki Barcena Hinojal, professor e pesquisador da Ekopol-UPV-EHU, membro do Espaço Ecossocialista de Euskal Herria – Maxime Perriot, CADTM, Bélgica – Iñigo Antepara, do Gune Ekosozialista, País Basco – Francisco Louçã, professor universitário, militante do Bloco de Esquerda, Portugal – Tom Kucharz, pesquisador independente e ativista da Ecologistas em Ação, Espanha – Tárzia Medeiros, setor ecossocialista do PSOL e membro da direção nacional do PSOL. Brasil – Daniel Albarracín. Professor da Universidade de Sevilha. Economista e sociólogo. Andaluzia. Espanha – Jawad Moustakbal, ATTAC-CADTM, Marrocos – Juan Tortosa, Groupe écosocialiste de solidaritéS, Suíça – Martin Mosquera, Poder Popular Argentina – João Camargo, Climáximo, Portugal/Bélgica – Christine Poupin, porta-voz do NPA l’Anticapitaliste, França – Iratxe Delgado Arribas, Sindicato LAB, País Basco – Maureen Zelaya Paredes. Anticapitalistas e Ecologistas em Ação. Espanha – Joana Bregolat, Anticapitalistas, Espanha – Juanjo Álvarez, Anticapitalistas, Espanha – Manuel Garí, economista, Anticapitalistas, Espanha – Martin Lallana, responsável pela transição ecológica do sindicato LAB, País Basco – Marco Maurizi, filósofo e militante, Roma, Itália – Aitor Murgia, sindicato ELA, Euskal Herria – Ainhara Plazaola, sindicato ELA, Euskal Herria – Antoine Dubiau, autor de « l’écofascisme », solidaritéS, Suíça – Yayo Herrero, do Fórum de Transições, Estado Espanhol – José Ignacio García, deputado andaluz, porta-voz do Adelante Andalucía – Erika González Briz, coordenadora da Ecologistas en Acción e pesquisadora da OMAL-Paz con Dignidad. Espanha – Jorge Riechmann, Ecologistas em Ação e Anticapitalistas, Espanha – Christophe Aguiton, ATTAC-França – Tristan Higginson, Jeunesse solidaire, Suíça – Aude Spang, Greve Feminista de Friburgo, Solidariedade Palestina-Friburgo, Sindicato Unia Suíça – Michael Löwy, Quarta Internacional, Paris, França – Françoise Nyffler, Coletivo da Greve Feminista, Genebra, Suíça – Eric Toussaint, porta-voz do CADTM internacional – Franco Turigliatto, Sinistra Anticapitalista – Paul Murphy TD (Membro do Parlamento, Irlanda, People Before Profit) – Renato Roseno – Deputado Estadual / PSOL (Ceará – Brasil) – Iain Bruce, jornalista, Escócia – Júlia Martí Comas, ativista ecofeminista, Anticapitalistas, ODG, Espanha – Annick Coupé, sindicalista e altermundialista, França – Javier Aguayo, Grupo Ecossocialista de SolidariedadeS, Suíça – Gabriel Videla, Coletivo Ecológico «Unidos pela Lagoa de Rocha», geógrafo e professor na UBA e na UNTreF, Argentina – Mariana Rodrigues, Climaximo, Portugal – Pedro Soares, Rede Ecossocialista, Portugal – Maria Fernanda Gadea, ATTAC, Espanha – José Casimiro, Rede Ecossocialista, Portugal – Cristina Semblano, Rede Ecosocialista, Portugal – Peter Saxtrup Nielsen, Socialistisk arbejderpolitk – Seção Dinamarquesa da Quarta Internacional, Dinamarca – Federico Bertalot, Marabunta, Argentina – Ricardo Salabert, STGSSP – Sindicato dos Trabalhadores das Grandes Superfícies, Armazéns e Serviços de Portugal – Jorgelina Matasevici, CsyP, Marabunta, Argentina – Alice Gato, Climáximo, Portugal – Júlia Câmara, Subverta, Brasil – Laura Horn – Gabriela Gallardo, Defendbio, Universidade de Utrecht – Hamel Puissant, Formation Léon Lesoil, Bélgica – Geert Seynaeve, Sociedade Europeia de Medicina de Desastres e Emergências ( , EUSDEM) – Nastasja Marchal, Brigades d’Actions paysannes, Bélgica – Francisca Fernández Droguett – Iniciativa Ecosocialista, Chile – Alfons Pérez, Observatori del Deute en la Globalització, Catalunha – Pedro Ivo Batista – Presidente da Fundação Rede Sustentabilidade e Presidente da Associação Alternativa Terrazul, Cofundador da Rede Brasileira de Ecossocialistas, Brasil – Nahuel Gravano, Marabunta – Terra para viver / Argentina – Mariana Riscali, Fundação Lauro Campos e Marielle Franco, MES-PSOL, Brasil – José Correa Leite, professor universitário e ativista da Assembleia Mundial pela Amazônia, MES-PSOL, Brasil – Cécile Renier, militante da rede Ades, pesquisadora da UCLouvain, Bélgica – Sébastien Kennes, Acteurs.ices des temps présents, Bélgica – Vincent Gay, militante altermundialista – Organizações: Gauche anticapitaliste, Bélgica – ATTAC Argentina – Alternative Viewpoint, Índia – Groupe écosocialiste de solidaritéS, Suíça – solidaritéS, Genebra, Suíça – Poder Popular, Argentina – CADTM internacional – Formation Léon Lesoil, Bélgica – LAB Sindikatua, País Basco – Povos contra o Extrativismo – Marabunta, Argentina – Anticapitalistas, Espanha – ELA Sindikatua, País Basco – NPA-l’Anticapitaliste, França – Ecologistas em Ação, Espanha – ATTAC-França – Sinistra Anticapitalista, Itália – RISE (Irlanda) – Ecosocialist Scotland – Gune Ekosozialista Euskal Herria – Sindicato ESK Euskal Herria – Climaximo, Portugal – Subverta, Brasil – Observatório da Dívida e da Globalização, Catalunha – Rede Brasileira de Ecossocialistas, Brasil – MES-PSOL (Movimento Esquerda Socialista), Brasil – Insurgência-RD / PSOL (Brasil) – Centelhas, Brasil – Le Collectif Anticapitaliste Fribourg, Suíça.