De 15 a 17 de maio, se realizará em Bruxelas o 7º Encontro Internacional Ecossocialista. O objetivo é contribuir para a construção de uma alternativa internacional, que se tornou urgente diante da multiplicação das guerras, do avanço da extrema direita e da ameaça do colapso climático.
Juan Tortosa*
O encontro na capital belga dá continuidade a uma série de reuniões internacionais iniciadas em Genebra em 2014, seguidas pela de Madri, em 2015, Bilbao em 2016, Lisboa em 2018 e 2022, e Buenos Aires em 2024. Em Buenos Aires também aconteceu o 1º Encontro Ecossocialista da América Latina e do Caribe, que teve uma segunda edição em Belém em novembro de 2025, antes da COP 30.
Os Encontros Ecossocialistas nasceram em 2014, por iniciativa do grupo ecossocialista suíço solidaritéS, que constatou, por um lado, a multiplicidade de experiências, alternativas e projetos na Europa e em outros continentes e, por outro, uma necessidade múltipla: a de fazer uma pausa no ativismo para refletir e compartilhar experiências. Mas também a necessidade de dispor de um espaço de encontro para aprender a se conhecer e compartilhar os trabalhos de cada um. Tratava-se igualmente de articular nossos esforços, criar convergências e propor alternativas. Ir além das lutas setoriais e construir uma visão de conjunto que permitisse levar adiante um projeto de emancipação econômico-social, para além dos prazos eleitorais e das urgências da agenda política, parecia indispensável.
O 6º Encontro Internacional, bem como a primeira e a segunda edições dos Encontros da América Latina e do Caribe, representaram um salto qualitativo e quantitativo no enraizamento das organizações e dos setores sociais envolvidos. A participação de cerca de 100 organizações – principalmente mulheres de comunidades de base em luta contra o extrativismo e pela defesa dos territórios, afrodescendentes, povos indígenas, ecofeministas, camponesas, bem como organizações políticas e sindicais – marcou um avanço significativo na construção da Rede Internacional dos Encontros Ecossocialistas. Fortalecidos pela dinâmica de Belém, estamos hoje a organizar o 7.º Encontro de Bruxelas.
Um contexto mundial em transformação
Este 7.º Encontro ocorreráe num contexto sensivelmente diferente. A extrema direita e as forças neofascistas avançam em todos os continentes. Embora suas formas variem de acordo com os países e as regiões, suas características comuns são claras: negação das mudanças climáticas; concentração da riqueza nas mãos do capital; busca desenfreada pelo lucro; ataques contra as liberdades democráticas e as organizações populares; aumento dos gastos militares; rejeição da ciência quando ela contradiz essas políticas; reforço dos aparelhos de repressão e vigilância.
Essas ofensivas se traduzem também em uma intensificação das agressões imperialistas destinadas a acaparar recursos e explorar as populações. A invasão da Ucrânia pela Rússia, a intervenção militar e a tutela colonial na Venezuela, o endurecimento do bloqueio contra Cuba, a repressão sangrenta no Irã pelo regime dos aiatolás e, posteriormente, a intervenção militar dos Estados Unidos e de Israel nesse país são exemplos disso. Elas vêm acompanhadas da perpetuação de situações coloniais que, no caso da Palestina, assumem a forma de um genocídio perpetrado pelo Estado de Israel com a cumplicidade de seus aliados.
Crise sistêmica e impasse do capitalismo
Os limites planetários revelam o fracasso histórico do capitalismo. Esse sistema, baseado na acumulação ilimitada, na concorrência generalizada e na exploração do trabalho e da natureza, levou a humanidade à beira do abismo. Não se trata mais de “corrigir” ou “regular” o capitalismo: é preciso superá-lo.
O modo de produção capitalista destruiu os equilíbrios ecológicos fundamentais. A busca pelo lucro imediato prevalece sobre qualquer consideração social ou ambiental. As grandes empresas do setor de combustíveis fósseis sabem que a maioria das reservas deve permanecer no subsolo para evitar um colapso climático irreversível e, no entanto, vão aumentar a extração. Até 2050, seria necessário deixar inexploradas quase todas as reservas de carvão, petróleo e gás; o capital, ao contrário, opta por acelerar.
Essa fuga para a frente não é um erro: está inscrita na lógica do sistema. Enquanto a produção for organizada em função do lucro privado, toda “transição” estará subordinada à rentabilidade. O capitalismo verde não passa de um novo campo de acumulação, baseado em um extrativismo chamado “crítico”, na mercantilização da vida e num colonialismo de recursos. A crescente militarização, a ascensão de regimes autoritários e o fascismo fóssil são as respostas das classes dominantes à sua própria crise.
Já entramos na catástrofe. Os desastres climáticos se multiplicam, a biodiversidade entra em colapso, territórios inteiros se tornam inabitáveis e as migrações forçadas aumentam. Diante disso, as classes dominantes defendem seus lucros, não a vida.
A luta ecológica é indissociável da luta de classes. Ela coloca a questão da propriedade dos grandes meios de produção e de troca, do controle democrático da economia e do planejamento ecossocialista. Sem a expropriação das multinacionais da energia, da agroindústria, das finanças e do armamento, e sem uma ruptura com a lógica do mercado, nenhuma transição real é possível.
O ecossocialismo não é uma reforma moral do capitalismo: é um projeto revolucionário. Implica a socialização dos setores estratégicos da economia; um planejamento democrático baseado nas necessidades sociais e nos limites ecológicos; uma redução massiva da jornada de trabalho; a relocalização das produções essenciais; o fim do extrativismo; e a solidariedade internacionalista.
O ecossocialismo como alternativa
É nessa perspectiva que se inscrevem os 7º Encontros Internacionais Ecossocialistas, que serão realizados em Bruxelas de 15 a 17 de maio de 2026, dando continuidade aos de Buenos Aires em 2024. Elas devem constituir um momento de convergência estratégica para aqueles e aquelas que rejeitam as falsas soluções do capitalismo verde e desejam construir uma alternativa de ruptura.
Paralelamente, será realizado o segundo encontro internacional dos Povos contra o Extrativismo, de 13 a 15 de maio. Conforme indica seu chamado: “Em um momento em que o modelo capitalista intensifica suas dinâmicas de guerra para manter um sistema de exploração dos seres humanos e da natureza, enfrentamos uma crise global. As falsas soluções e os discursos vazios já não são suficientes. Diante da ofensiva privatizadora, colonial, genocida e ecocida do poder das empresas, a necessidade de nos organizarmos se impõe.
“Povos contra o Extrativismo” pretende ser um espaço de articulação internacional para aqueles e aquelas que enfrentam os impactos desse modelo em seus territórios. Não buscamos paliativos, mas transformar profundamente as relações que nos oprimem e construir alternativas de vida justas, solidárias e dignas.” Este encontro será realizado no Espace Buen Vivir, em Bruxelas.
Um espaço específico será também dedicado ao mundo do trabalho e à transformação econômico-social, pois nenhuma transformação radical é possível sem a intervenção consciente e organizada da classe trabalhadora. Sindicatos do País Basco, como ELA, LAB e ESK, estão particularmente envolvidos nisso.
Cinco eixos estruturarão este espaço:
• Estratégias de renovação sindical ecossocialista
• Trabalho de cuidados e proletariado migrante
• Lutas pela reconversão ecológica da indústria
• Conflitos sindicais para frear a remilitarização
• Alianças contra o extrativismo e o colonialismo verde
Na tarde de sexta-feira, 15 de maio, ocorrerá a abertura do Encontro, com intervenções de representantes da CONAIE do Equador, de uma militante ecofeminista brasileira, de uma representante da articulação Povos contra o Extrativismo e de um camarada da Bélgica.
O sábado e o domingo serão dedicados a oficinas participativas que abordarão, entre outros temas: o papel da inteligência artificial; a educação na transformação ecossocial; o planejamento democrático; a defesa dos territórios; a teologia da libertação; o ecofeminismo do Norte e do Sul; o fascismo fóssil; a dívida; ou ainda a agroecologia.
Também estão previstas três sessões plenárias: uma sobre a situação geopolítica internacional; outra sobre o Manifesto Ecossocialista da IV Internacional; e uma terceira dedicada a um diálogo com o pensamento de Michael Löwy.
Em suma, o desafio deste 7º Encontro é articular as lutas sindicais, feministas, antirracistas e ecologistas em uma perspectiva anticapitalista comum, ao mesmo tempo em que se elaboram propostas estratégicas.
Convocamos a assinatura do chamado – a título individual ou em nome de uma organização –, a participação ativa na preparação destes Encontros e a transformação de Bruxelas em um momento marcante de organização e coordenação.
O capitalismo leva ao colapso e à barbárie. O ecossocialismo revolucionário é a condição para a sobrevivência e a emancipação. Não se trata mais de reformar o sistema, mas de superá-lo.
Todas as informações estão disponíveis em: https://alterecosoc.org
17 de março de 2026
(*) Juan Tortosa, membro da solidaritéS e da rede Rencontres Écosocialistes.

