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Reconstruir a independência, a democracia e a justiça social

por Comunes
Manifestação nos tempos de Maduro, com grande bandeira do país no centro
Não há nada a comemorar no dia da independência nacional venezuelano, 5 de julho. País perdeu independência e soberania

Este é o manifesto-comunicado divulgado pela corrente Comunes, da Venezuela, no dia em que se comemoraria a independência do país, hoje co-governado pelos Estados Unidos.

Não se pode comemorar o dia da independência, 5 de julho. Não se pode comemorar o que não se tem. Desde 3 de janeiro de 2026, a Venezuela tornou-se um protetorado-colônia de fato dos Estados Unidos. Washington controla o setor petrolífero venezuelano, apropria-se de recursos públicos, decide sobre o orçamento, define a política externa, ordena a reforma de leis de acordo com seus interesses, deixando uma pequena margem de decisão a um governo local, submisso e complacente, que é fruto de uma fraude eleitoral. Trump, como ele mesmo acaba de declarar, “derrotou a Venezuela” e impôs sua vontade colonial sobre toda a nação.

Delcy Rodríguez prefere chamar isso de “colaboração” e “caminho diplomático correto”, enquanto María Corina Machado demonstra um “agradecimento” constante por sua contribuição à “liberdade”. Ambas são a expressão de elites econômicas e políticas servis, dispostas ao servilismo e à renúncia aberta à independência, em troca de migalhas de poder político. 

A história avaliará os múltiplos fatores e a cadeia de responsabilidades que as elites representadas por Machado e Rodríguez/Maduro têm na perda de nossa condição de República independente. Mas, sem dúvida, o apoio constante à invasão por parte da primeira, somado à fraude eleitoral, à repressão, à corrupção e ao desrespeito aos direitos sociais por parte dos segundos, estão entre os fatores mais importantes. Hoje, 5 de julho de 2026, 215 anos após a assinatura da Declaração de Independência, em meio à dor profunda e generalizada causada pela morte e pelos danos provocados pelo terremoto, não temos nada a comemorar.

Das ruínas de La Guaira e de outras cidades afetadas, devemos extrair forças para reconstruir, material e espiritualmente, nossas comunidades; bem como refletir, debater e agir para reconstruir a democracia, a justiça social e o direito à autodeterminação. Da Corrente Popular COMUNES, consideramos que o momento atual nos obriga a unir forças e nos mobilizar ao lado de outras forças sociais e políticas, diversas, com base nos seguintes objetivos prioritários: 

1. Recuperar a democracia e a constitucionalidade. Para falar de soberania popular, é preciso falar de soberania política e territorial; portanto, qualquer avanço nesse campo deve ser acompanhado pela retirada das forças de ocupação colonial dos Estados Unidos do território venezuelano. É fundamental realizar eleições presidenciais com as características, os mecanismos e os prazos (já vencidos, de acordo com os artigos 233 e 234) previstos na Constituição. Submeter-se ao “Plano trifásico” de Rubio é adiar o governo de fato e ratificar a submissão ao governo colonial.

A partir do campo democrático, popular e nacionalista, devemos pressionar, nas ruas, por condições e um cronograma, sem demora, para a realização de eleições presidenciais livres, justas e sem tutela. 

2. Restaurar a vigência dos direitos sociais. A política neoliberal do governo e do setor empresarial (que é a mesma proposta por Machado) só pode ser revertida por meio de lutas nas ruas e do fortalecimento organizacional daqueles que sofrem a violação de seus direitos sociais. Acompanhar e qualificar essas lutas e processos é a única possibilidade de questionar o consenso entre as elites econômicas e pressionar por uma distribuição justa da riqueza. 

3. Acumular força democrática, popular e nacionalista. São diversos — e, às vezes, em conflito — os atores sociais e políticos que reivindicam democracia, soberania ou justiça social. É fundamental promover, a partir do pluralismo, acordos e articulações para alinhar essas agendas com vistas à recuperação da República. 

4. Recuperar a soberania nacional. Aos danos que o governo colonial vem nos causando, soma-se sua pretensão de aproveitar a catástrofe para estabelecer uma presença militar permanente em nosso país (apenas 15% dos 2.000 militares norte-americanos são socorristas) e controlar a reconstrução, de acordo com seus interesses econômicos. Reverter nossa atual condição de protetorado/colônia não será uma conquista imediata.

A soma dos objetivos acima facilitará essa luta, que deve incluir: a) a denúncia constante da forma como o governo colonial prejudica os interesses nacionais e populares e, b) a restauração dos direitos e garantias de autodeterminação consagrados na Constituição da República Bolivariana da Venezuela. 215 anos depois de 1811, a emancipação continua sendo nossa tarefa! Diante do pacto das elites, organizemos a rebelião a partir da base!

Corrente Popular COMUNES

5 de julho de 2026