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Milhares de jovens dão início à acampada pela habitação em Lisboa

por Esquera.net
Début du campement à Lisbonne pour le droit au logement. © António Pedro Santos

Uma acampada pela habitação foi instalada no Rossio este sábado, em resposta ao aumento dos preços das rendas que tornam a perspetiva de conseguir uma casa uma meta inatingível para a juventude portuguesa.

A grande maioria dos participantes na acampada são jovens que em declarações à comunicação social dão testemunho da impossibilidade de se emanciparem e saírem de casa dos pais, apesar de já estarem licenciados e a trabalhar. Os pais são muitas vezes o exemplo dado para ilustrar como a situação mudou nas últimas décadas: se os salários de um casal eram suficientes para arrendar ou comprar casa com crédito à habitação, hoje os filhos fazem as contas e percebem que isso não passa de um sonho.

Os manifestantes não poupam críticas ao atual Governo por aprovar medidas que só beneficiam os senhorios e os fundos imobiliários com isenções fiscais, fragilizando os inquilinos com a recente alteração à lei das rendas aprovada na generalidade com o Chega. Mas também pela retórica dos governantes na última semana em resposta à acampada do Porto, com o primeiro-ministro a qualificar os movimentos sociais como egoístas, ou um ministro a dizer que o Governo não vai ouvir os gritos das ruas.

Com a praça do Rossio ocupada, realizou-se uma assembleia popular repleta de testemunhos sobre a crise da habitação. Ouviu-se a palavra de ordem “o povo unido jamais será vencido” e cantou-se várias vezes a “Grândola Vila Morena”.

No Porto, milhares voltam a decidir pernoitar na Praça D. João I

As acampadas portuguesas começaram no sábado passado no Porto, onde apesar da repressão policial a praça D. João I tem sido palco de concentrações e assembleias noturnas durante a semana. Este sábado, mais uma vez se juntaram milhares de pessoas no final da tarde de sábado, solidárias com a causa do direito à habitação mas também em protesto contra a ação policial da madrugada de quinta-feira.

Praça D. João I voltou a encher para mais uma assembleia popular da acampada do Porto. Foto de Paulo Pinto
Praça D. João I voltou a encher para mais uma assembleia popular da acampada do Porto. Foto de Paulo Pinto

Na assembleia popular realizada ao início da noite, foi decidido voltar a montar tendas para pernoitar no local.

“Foi uma votação esclarecedora, quase por unanimidade. As pessoas estão revoltadas e querem apoiar-nos. Cada vez mais pessoas se estão a juntar”, afirmou Cristiana Leal, uma das organizadoras do protesto, apelando a “que mais pessoas venham para ajudar o Governo a ouvir os gritos da rua: Lisboa está a gritar, o Porto está a gritar, em Faro também houve grande participação”.

Esquerda.net, 17 de outubro 2026